quarta-feira, 10 de outubro de 2007

Destino Traçado

Será a história da minha vida um caminho estreito, sem sinal de ter fim, sem nenhuma bifurcação, opção de escolha, sem mais caminhos sem ser o predestinado?
Serei eu uma caminhante do destino? Porque tem ele de se cumprir sempre? Porque não posso eu mesma escolher o meu destino? Traçá-lo, pintá-lo de cores vibrantes e caminhar sobre ele com orgulho?
Porque tenho de me cingir por algo que não controlo? Por algo predestinado a ser?
Não gosto do meu destino. Até agora parece-me bastante sombrio...
Faça o que fizer, diga o que disser, aja como agir, o fim é sempre o mesmo...Sozinha...All by myself...
Quero poder contar com um futuro melhor, com um futuro feliz, em que esta "maldição" seja quebrada... Em que o destino seja diferente...
Quero poder acreditar em alguém que me faça crer que existe algo mais que um destino ao qual nós não temos poder. Quero acreditar no amor....
Mas...tudo o que acredito parece tão distante visto desta perspectiva...
Tudo parece tão...ilusório...tão...falso...
Será mesmo?
Existirá mesmo algo mais que esta dor?
Como o saberei....
Não sei.

terça-feira, 9 de outubro de 2007

Desaparecimento de memórias

Porque não é possivel apagar as memórias? Porque é que elas não são como um arquivo, um ficheiro de computador, que podemos mandar para a reciclagem? Porque é que ficam cravadas dentro de nós como uma faca com a sua lâmina afiada a cravejar mais dor. Mas esta dor é sentida na alma.
Porque deixo as memórias apoderarem-se de mim, porque sou assim tão fraca?
Porque são as memórias tão importantes? Que traz o passado ao presente? condicionará tal coisa o futuro? Far-nos-à mais felizes ou mais tristes? Mais sábios ou mais ignorantes?
Receio não ter resposta para tais questões, mas toda a dor que sinto, de todas as recordações, memórias, lembranças, enfim, pensamentos tidos como verdadeiros num passado deveras diferente...parecem não sair de mim.
Detenho a ilusão de que cada coisa que foi ainda é. Mas depois acordo.
Cada local que vislumbro recorda-me de coisas que não quero nem devo lembrar.
Como é possivel viver com tanta angústia? Como é possível ser feliz assim? Como há quem o consiga?
Há que pensar. Há que reflectir. Meditar. Maneiras de desaparecer. De deixar de existir. Maneiras de esquecer. Todos estes pensamentos aprisionados dentro de mim devem escapar da minha mente, voando livremente ao sabor do vento e não voltando jamais.

quinta-feira, 4 de outubro de 2007

Partida

Parto assim. No silêncio. No silêncio das lágrimas que gritam na minha alma. Sim, elas gritam, elas choram por tudo o que para trás ficou, mas eu permaneço calada. Nem uma sílaba pronuncio. A cada passo que dou a vontade de gritar e de chorar aumenta. Mas eu sou forte, sempre o fui, e tenho de o ser agora também.
Mas as palavras que o meu coração não pronunciou, quer a minha boca as dizer. Elas tentam romper a muralha da vontade do silêncio que se ergueu em mim, e fazem-se ouvir.
Um ligeiro "adeus" escapa-se da minha boca. Viro costas. Uma lágrima corre pelo rosto. Aos olhos de outros, fui forte, fui valente, não chorei nem gritei. Mas por dentro a gritaria é ensurdecedora e o choro inunda a minha alma.
As lágrimas que não chorei invadem o meu peito inundando o coração. Ou o que resta dele:
.
Meros pedaçinhos.

Divagações (IX)


Acordo do sonho e da ilusão à qual me mantiveste presa. Acordei do pesadelo, tão bem encarado como sonho, por mim. Acreditei no sonho, acreditei que o pesadelo era apenas uma mera sombra da realidade que ambos tinhamos. Enganei-me. Tenho esta tendência a errar, por mais que tente acertar. Tenho esta tendência a fazer tudo mal quando quero fazer tudo certo.
Olho para o céu nublado onde o sol brilha.
Vejo o mar revolto sem ondas por perto.
Vislumbro o teu olhar, de onde o brilho já há muito se extinguiu. É apenas um olhar oco, sem brilho, reflexo, sentimento.
Um olhar vazio.
Acordei para a vida e recordei erros passados. Notei que os estava a reviver agora. E tal revelação torna-se insuportável ao meu ser.
Reparei que a vida não é como um sonho cor-de-rosa e que tem as suas cores mais pálidas. Reparei que a minha vida é pintada de preto e branco ou talvez tons cinza.
No meio de tanto sonho a preto e branco apenas uma cor resalta.
O vermelho.
O vermelho do meu coração. O vermelho do sangue. O vermelho das lágrimas que me transbordam do peito, chegando aos olhos.
O vermelho do amor.
Que guardo por ti. Agora. E sempre.

terça-feira, 2 de outubro de 2007

Livro em Branco

Compro um livro. Um livro em branco. De que adianta ler um livro em branco? Não existe lá nada para ler.
Aí está o erro. Um livro em branco tem mais para ler do que outro qualquer onde escrevem palavras.
É o que não lá está escrito que realmente importa, que realmente é importante.
Folheio cada página do livro, com mais interesse de descobrir o que se encontra na próxima.
Branco. Tudo em branco.
Nem uma palavra.
Nem uma letra.
No entanto a cada página que passa, o livro torna-se mais claro para mim, mais perceptivel, e entendo o porquê de tanta brancura.
Nenhuma critica poderia ser feita a tal livro, pois nao tem um tema, não é igual para todos.
De um livro em branco cada qual pode fazer seu julgamento, pode tirar sua conclusão e pode aprender algo disso.
Deste livro, desta leitura, aprendi que a minha vida também ela é um livro em branco, à espera que venhas escrever nele a história do meu destino.
Por isso quando chego ao final do meu livro em branco escrevo:
FIM.


segunda-feira, 1 de outubro de 2007

Oficina de escrita (IX)

Lá fora chuvisca levemente, e o ar gelado entra pelas janelas semi-cerradas. Mas eu continuo aqui, sentada, a ouvir o vento embater nas árvores e deixo-me embalar pelo sono...
Lá fora tudo é frio, tudo é inóspito, agreste, solitário...
Aqui há calor, conforto, mas haverá carencia de solidão?... Penso que aqui isso é o que há menos. E quanto existe é por raros e breves momentos. Que passam assim, como uma lufada de ar fresco passa pelo nosso rosto e deixa nele a marca da frieza.
Sim, aqui onde não há frio nem locais inóspitos, há muita, demasiada, solidão.
Rodeio-me das coisas que me aquecem o corpo mas sinto-me sozinha. Despida. Ali fora...no gelo, no frio.
Pois de que me adianta aquecer o corpo quando é a alma que necessita de aquecimento?
Não são meras mantas ou simples casacos que me vão aquecer a alma. Sinto necessidade de algo superior a isso. Calor humano. Especialmente calor teu.
Vem com essa tua maneira vampiresca roubar a solidao de mim. Vem com esse teu geito carinhoso, porém perigoso, aquecer-me a alma e aquece também meu corpo. És a minha essência imortal, já to tinha dito, por isso digo-te agora que me venhas dar a imortalidade que tanto anseio, a imortalidade que tanto de ti quero,
vem aquecer-me Saint!
vem fazer-me feliz, amor...