quarta-feira, 31 de outubro de 2007

Oficina de escrita (X)

Assim me encontro, de barriga para cima, de olhos postos no tecto, mas a vislumbrar muito mais que a parede. À medida que os olhos se vão cerrando a cor do que vejo muda de um branco simples, a cor da parede, para um verdejante relvado, que começa a aparecer em sonhos.
Quando entro no meu mundo, no meu sonho, sinto-me leve, segura, feliz, como se o que vivo, quando estou acordada, fosse o sonho, (neste caso pesadelo), e que, ao fechar os olhos entro então na realidade, no meu mundo, no que gostava que fosse a minha vida.
Sol brilhante no céu. Relva verdejante no chão. Águas límpidas e translúcidas para beber e mergulhar. Sorrisos carinhosos para receber.
Sim, é este o mundo que desejaria viver na realidade. Um mundo onde exista confiança, onde eu mesma possa ser confiante, um mundo onde não haja injustiça, onde não exista dor e onde não haja espaço para a mágoa.
Sorrio enquanto aqui me encontro. Vejo caras amistosas que para mim sorriem. Sorrio em retorno.
Creio que o paraiso se existe é semelhante a este lugar (se é que se pode chamar lugar a um sonho). Como quero voltar aqui todas as noites, fechar os olhos e encontrar este "lugar" aqui sempre para mim...
Abro os olhos. Chove lá fora. O céu está nublado. O dia, escuro. O meu pesadelo começou novamente.

domingo, 28 de outubro de 2007

A todas vós

Sinto novas forças... Nova alegria na vida. Sinto que voltei finalmente a ser quem era.
Aquela alegre e feliz menina que dantes sonhava acordada e que não tinha medo de arriscar.
Sinto um sorriso sempre presente nos meus lábios. Uma palavra carinhosa sempre para ser dita. Aqui sempre, para os amigos, para quem precisar.
Assim, desprevenida, encontro-me num momento que jamais pensei que voltasse.
Estes últimos tempos ensinaram-me tudo menos a acreditar no futuro. Ensinaram-me a desconfiar de tudo e de todos. Ensinaram-me que a felicidade era uma mera ilusão.
Mas agora sei, agora sinto, tal como há muito não sentia, que a felicidade é atingível...É algo alcançável... E está bem mais perto do que eu sequer imaginava. Não está por detrás de um grande amor, ou de algo extraordinário...
Encontra-se por detrás de todos os gestos diários que aqueles a quem chamamos de amigos nos dedicam.
Sim, sinto-me feliz, com forças como há muito não sentia, tudo porque acredito ter as melhores amigas possíveis no mundo (quiçá da Europa, como uma delas diria), e através de todos os momentos partilhados, segredos confessados, lágrimas choradas e risos largados, fizeram de mim uma pessoa melhor.
A vocês todas, muito obrigado :)


Dedicado especialmente àquelas quatro meninas espectaculares. Blossom, Bubbles, Miss K e Heretic.

sábado, 27 de outubro de 2007

For my whole life

.
For my whole life I have thought of this moment:
When it would come, how it would happen...
It is my fate, so inevitable and inescapable.
I’ve always known it would come.
I’ve always been prepared,
But I never realized how much it would hurt him.
.

He can be like a child, when lost and fragile.
A man so strong, yet so weak.
I knew him so; I did not want to let him go.
The pain I would leave him would scar him.
The regret I would give him would burden him.
My decision would break him.

.

As I sunk deeper into the darkness,
I saw much sadness in his eyes.
The sight pained me much; I never saw him as such.
I wanted to reach out to him.
I wanted to let him know that I was okay.
But he would never know of my presence.

.

“I’ll come back when it’s all over.” I had told him.
But I would never return; it was only later that he would learn:
We would never be together again.

.

I never got to “meet” him,
I never got the chance to tell him how I feel,
But the memories we had together are enough for me.

.

For my whole life I have thought of this moment:
When it would come, how it would happen...
It is my fate, so inevitable and inescapable.

.

I’ve always known it would come.
I’ve always be prepared.
But I never realized how much I loved him – until I was gone.

.


Tribute to Aerith.

quinta-feira, 25 de outubro de 2007

Quero...

Sentir... as tuas palavras, dirigidas directamente a mim;
Ver... os teus olhos brilhantes a fixarem os meus;
Tocar... na tua pele quente e suave;
Ouvir... a tua voz calma dirigida a mim;
Sussurrar... ao teu ouvido o quão importante és para mim;
Imaginar... todo um mundo só nosso;
Sonhar... que os sonhos tornam-se realidade.

Mas a realidade é bem diferente.
Apenas sinto o ar frio à minha volta.
Apenas vejo um vazio na minha frente.
Apenas toco no meu coração quando em ti penso.
Apenas oiço o mundo à minha volta, alheio a mim.
Apenas sussurro à minha alma para me distrair de ti.

Mas o imaginar e o sonhar... Nesses a realidade não se sobrepõe à fantasia.
Mas mesmo assim, lá entras tu, e dizes "Fairy tales don't come true".

quarta-feira, 24 de outubro de 2007

Pale Mind

The world seems not the same,
Though i know nothing has changed.
It's all my state of mind,
I cant leave it all behind.

Despite how i feel inside,
Have to trust it will be alright...
I have to be strong, i have to fight,
to take this thoughts out of my mind..

I have to stand up to be stronger.

terça-feira, 23 de outubro de 2007

Divagações (X)

A pessoa e a cidade vísivel, em escuridão se tornavam..(Gostava de encontrar no meio dela a esperança que tece o brilho da música).
Até nesse instante, nesse momento doloroso, porque toca a música? (E porquê tão bem?)
Tudo se está a afastar, tudo a desaparecer...O amanhecer do deserto, reflectido nos olhos...
E as lágrimas que nunca caem, só de olhar se tornaram azuis.
Não sinto nada, do gelo lá fora...(Gostava de encontrar o calor das tuas palavras, indo me aquecer a face).
Até nessa noite fria, quem cantaria? (e bem! quem diria.)
Quero acreditar mais uma vez... Mesmo que ódio não venha,
cedo ou tarde a luz alcançaria! (Gostava de encontrar tal chama calorosa).
Sem esperança de tal momento, porque eu viveria? (E bem, com alegria!)
As perguntas entristecem-me (Gostaria de encontrar uma resposta sincera.)
Até numa longa noite, até com as estrelas apagadas para mim,
Será que amanheceria? (Não sei se acreditaria...)
Não oiço nada, a onda negra faz o barco flutuar..
Não concederia agonia (Apenas paz quero encontrar!)
Porque entendes?
Porque te preocupas? (Não entendo...deveria?)
O amanhecer do deserto vem claro e se reflecte nos meus olhos...
E as lágrimas que nunca caem só de olhar se tornavam azuis.

segunda-feira, 22 de outubro de 2007

Razões para ser Feliz

"Razões para ser feliz" - disse a professora. - "É este o tema. Pensem. Reflictam. Façam um texto e dêem a vossa opinião."
O primeiro pensamento que me ocorreu foi se seria eu feliz? Conseguiria eu arranjar razões para existir felicidade, quando eu mesma não sei se tal coisa existe em mim....
Mas pensei. Reflecti.
Sim, sou feliz. Em meros momentos. Momentos que todos parecemos esquecer, de tão fugazes que são. Sinto-me feliz quando recebo um sorriso. Quando sinto um abraço. Quando o sol brilha e os pássaros cantam. Quando uma borboleta pousa numa flor. Quando estou rodeada por aquelas pessoas especiais.
Todos aqueles pequenos pormenores que muitos não ligam. Ligo eu. São esses pequenos gestos, essas pequenas acções, que tornam um dia mau num bom, que alegram os ânimos, que me dão o positivismo que tantos admiram.
Creio que são aquelas palavras carinhosas quando mais precisamos, aqueles sorrisos despreocupados e sinceros, aquelos momentos bem passados que tornam uma vida feliz. Não o que é material mas sim o que é sentimental.
Os sentimentos regem um mundo, regulam as acções, induzem o pensamento. Fazem parte de nós. Não devem ser menosprezados.
No meio do raciocínio que estava a ter acerca deste assunto (sim enquanto a professora explicava outra qualquer matéria), tentei pensar naqueles que me faziam feliz. Fechei os olhos por segundos e não sei como, não sei porquê, uma pessoa saltou-me ao pensamento. Sim sou feliz. Porque fecho os olhos e lembro-me de ti. Porque sou tola ao ponto de não te dizer. Porque não sei o que é isto, o que se passa comigo, que me faz pensar assim em ti. Que me faz pensar. Que me faz escrever. Que me faz corar.
God, não sei o que estou a dizer.
Sou feliz por te ter no meu pensamento embora não esteja no teu.
Sou feliz por te ter no meu coração embora possas não o perceber.

O amar.


"Quem ama nunca sabe o que ama,
nem sabe por que ama, nem o que é amar...
Amar é a eterna inocência,
E a única inocência é não pensar"

Fernando Pessoa

domingo, 21 de outubro de 2007

Fairy Tale

Fairy tales don't need to be true. Don't need to be real. That's why they're fairy tales... Something so pure, so sweet and innocent, but so powerful... That makes every child wish to be a princess or a prince, just to find such true love, such a strong love...
But our childhood is lost. We now start to face the reality of the world. Where fairy tales reveal as lies.
But we don't need to believe in fairy tales... because we don't need magic, we don't need a prince or a princess... All we need is our selfs.
And our heart.
Nothing more.
(Well, many things more, but it doesn't mater now.)

Well, what i am trying to say is...Although we may think that everything can be bad, can be wrong, can be sad....We need to believe in our own strength...and in future.

In destiny.

In a hand to hold.
In a kiss to be given.
In a hug to be felt.

That's all.



Specially to: Roxas

segunda-feira, 15 de outubro de 2007

Friends (2nd version)

Bem e como há 50 posts atrás eu escrevi sobre algumas das pessoas mais importantes para mim, creio que já está na altura de falar de mais umas quantas e reforçar outras que ainda mais especiais se tornaram.

Let's see now:

Ana Catarina aka Kata
Again my sweet girl.
És o pilar que me sustem.
És aquela que consegue-me alegrar
mesmo nos tempos piores.
És a minha mana agora e sempre.
Quero acreditar nisso =')


Ana Patricia aka Blossom
A minha powerpuffa mais boa :)
tens sido aquela amiga...aquela confidente...
ai amo-te gaja =')
desde as tardes a jogar sims até às nights tresloucadas,
tudo contigo é uma animação.
Thanks for that.


Catarina aka Heretic
Ai doida, tu a mim, só fazes rir.
Fazes-me sentir bem.
Mostras o lado bom da vida.
Mostras que ele pode existir mesmo.
Tás cá dentro mulher (L)


Tania aka Bubbles
ai bolhas..que dizer de ti...
ouves-me, oiço-te.
Trocamos confidencias. Somos aquela base portanto :P
Adoro as nossas meganes ^^
São pa ser repetidas 4 ever eternamente!
União alforrecas <3
.
.RoxaS aka Cloud
Bem menino...sobre ti era capaz
de passar uma eternidade a falar.
Fazes-me pensar na vida. No seu significado.
Fazes-me perceber que tudo pode ser melhor.
Fazes-me SENTIR que tudo pode ser melhor.
...Embora nunca te tenha sentido...
És simplesmente um best.
E tas aqui (L) com lugar de honra. =$


Hugo aka GordO
Ai chegou a parte complicada. lol.
Tas sempre disposto a aturar-me, a ouvir-me,
consegues entender o que passo pois ja passaste igual.
Tou a adorar voltar falar contigo, e não quero perder isso.
Conhece-mo-nos há demasiado tempo
para haver perdas de amizade não concordas? :)
Tal como aqueles specials, tas aqui <3
.
.João aka Mano/Filho
Ai meu maninho filhote....
tenho tantas saudades tuas ;_;
Quero pregar-te com um abraço e um bj
nessa fronha ma cutxi lol
Pronto, fora cas lamexices,
és outro rapaz que tá cá dentro (L)
(sim tnh coraçao grande! mas n tnh culpa
de conhecer grande gente :D)
E pa ti, so mais 2 palavras:
JE T'Adore :)


André aka Riku aka Baptista
Gosh, hà quantos anos te conheço?
4/5 anos? como o tempo passa.
É incrível como estamos agora mais próximos...
(digo eu, quiçá talvez, pela minha prima)
Mas ainda bem, já tinha saudades das tuas parvoíces
e daqueles momentos de sinceridade.
Obrigada por me apoiares.
Por me ajudares.
Em tudo aquilo que nós sabemos :)

100º Post

Bem, hoje para comemorar o facto de este ser o 100º Post que aqui coloco, (ai nem me acredito que cheguei aos 100!), escrevo aqui um poema da autoria de Fernando Pessoa, que simplesmente traduz por palavras todo o sentimento que se encontra dentro de mim nesta fase da minha vida. Espero conseguir chegar ao 200º Post e espero quando o conseguir,
ter todos os que sempre me apoiaram durante os primeiros 100, presentes também nos 200 que daí virão.

Um muitíssimo obrigado a todos meus amigos que me deram inspiração para escrever,
aos meus inimigos pois da raiva e da frustração saem lindos poemas e prosas...
Aos que me magoaram, pois desaguo agora as mágoas em poemas e histórias.
E aos que me fazem feliz e me dão razões para sorrir e para escrever textos encantadores...
E aquela inspiração. Em quem penso em cada post. Com quem estou sempre preocupada se gosta ou não. Aquela inspiração que é também inspiradora. Mas que além de inspiração é amigo. Aquele amigo. In whom to trust. In whom to believe. In whom to everything.

Thank You.

OBRIGADO a todos. =)

Aqui fica o poema

Contemplo o lago mudo
Que uma brisa estremece.
Não sei se penso em tudo
Ou se tudo me esquece.

O lago nada me diz,
Não sinto a brisa mexê-lo.
Não sei se sou feliz
Nem se desejo sê-lo.

Trémulos vincos risonhos
Na água adormecida.
Porque fiz eu dos sonhos
A minha única vida?

-- Fernando Pessoa

domingo, 14 de outubro de 2007

Empty

Empty. It's all i can say about me...
This loneliness...This strange feeling that im feeling in this moment...
I wanna have hope, faith, but all that seems to be drawn from me, its seems to slip away...
Come on, happiness? Where are you?
Where is the so cald love? Why aint i aloud to have it? To love it? Why cant i be loved?
I feel such emptiness in me... Because of the hurt...Because of the pain...
Because of the blade you crossed through my heart.
Because of all.
I just cant take it any more!
Im...
...empty...


sexta-feira, 12 de outubro de 2007

Música do Coração

Sento-me na minha cama. Meto aquela música a tocar. Aquela música tão profunda, tão bela porém tão triste, que faz uma lágrima cair no canto do meu olho...
E ao ouvir a música, penso em tudo o que ouvi, tudo o que vi, tudo o que passei, tudo o que vivi...
E quando a música parece estar a acabar, ela continua, tornando-se cada vez mais triste, a cada nota, a cada acorde, a cada momento, faz-me chorar mais e mais...
Parece-me que a música conta-me uma história. Uma história trágica, infeliz, mas que no entanto não consigo evitar de ouvir... Não consigo deixar de gostar da música, pois a história por ela contada, a história que eu denoto existir nesta melodia, não é mais que a minha história, contada através de acordes musicais.
Sim, sei que se a história da minha existência fosse tornada em música, soaria assim. Daí talvez, seja essa a razão pela qual eu ame tanto esta canção. Pois é especial para mim a um nível inexplicável, a um nível de adoração extrema...
E o compositor? É o meu coração.

quinta-feira, 11 de outubro de 2007

Sonho


Sonho. Não sei quem sou neste momento.
Durmo sentindo-me. Na hora calma
Meu pensamento esquece o pensamento,
Minha alma não tem alma.

Se existo é um erro eu saber. Se acordo
Parece que erro. Sinto que não sei.
Nada quero nem tenho nem recordo.
Não tenho ser nem lei.

Lapso da consciência entre ilusões,
Fantasmas me limitam e me contêm.
Dorme insciente de alheios corações.
Coração de ninguém.


By: Fernando Pessoa

quarta-feira, 10 de outubro de 2007

Destino Traçado

Será a história da minha vida um caminho estreito, sem sinal de ter fim, sem nenhuma bifurcação, opção de escolha, sem mais caminhos sem ser o predestinado?
Serei eu uma caminhante do destino? Porque tem ele de se cumprir sempre? Porque não posso eu mesma escolher o meu destino? Traçá-lo, pintá-lo de cores vibrantes e caminhar sobre ele com orgulho?
Porque tenho de me cingir por algo que não controlo? Por algo predestinado a ser?
Não gosto do meu destino. Até agora parece-me bastante sombrio...
Faça o que fizer, diga o que disser, aja como agir, o fim é sempre o mesmo...Sozinha...All by myself...
Quero poder contar com um futuro melhor, com um futuro feliz, em que esta "maldição" seja quebrada... Em que o destino seja diferente...
Quero poder acreditar em alguém que me faça crer que existe algo mais que um destino ao qual nós não temos poder. Quero acreditar no amor....
Mas...tudo o que acredito parece tão distante visto desta perspectiva...
Tudo parece tão...ilusório...tão...falso...
Será mesmo?
Existirá mesmo algo mais que esta dor?
Como o saberei....
Não sei.

terça-feira, 9 de outubro de 2007

Desaparecimento de memórias

Porque não é possivel apagar as memórias? Porque é que elas não são como um arquivo, um ficheiro de computador, que podemos mandar para a reciclagem? Porque é que ficam cravadas dentro de nós como uma faca com a sua lâmina afiada a cravejar mais dor. Mas esta dor é sentida na alma.
Porque deixo as memórias apoderarem-se de mim, porque sou assim tão fraca?
Porque são as memórias tão importantes? Que traz o passado ao presente? condicionará tal coisa o futuro? Far-nos-à mais felizes ou mais tristes? Mais sábios ou mais ignorantes?
Receio não ter resposta para tais questões, mas toda a dor que sinto, de todas as recordações, memórias, lembranças, enfim, pensamentos tidos como verdadeiros num passado deveras diferente...parecem não sair de mim.
Detenho a ilusão de que cada coisa que foi ainda é. Mas depois acordo.
Cada local que vislumbro recorda-me de coisas que não quero nem devo lembrar.
Como é possivel viver com tanta angústia? Como é possível ser feliz assim? Como há quem o consiga?
Há que pensar. Há que reflectir. Meditar. Maneiras de desaparecer. De deixar de existir. Maneiras de esquecer. Todos estes pensamentos aprisionados dentro de mim devem escapar da minha mente, voando livremente ao sabor do vento e não voltando jamais.

quinta-feira, 4 de outubro de 2007

Partida

Parto assim. No silêncio. No silêncio das lágrimas que gritam na minha alma. Sim, elas gritam, elas choram por tudo o que para trás ficou, mas eu permaneço calada. Nem uma sílaba pronuncio. A cada passo que dou a vontade de gritar e de chorar aumenta. Mas eu sou forte, sempre o fui, e tenho de o ser agora também.
Mas as palavras que o meu coração não pronunciou, quer a minha boca as dizer. Elas tentam romper a muralha da vontade do silêncio que se ergueu em mim, e fazem-se ouvir.
Um ligeiro "adeus" escapa-se da minha boca. Viro costas. Uma lágrima corre pelo rosto. Aos olhos de outros, fui forte, fui valente, não chorei nem gritei. Mas por dentro a gritaria é ensurdecedora e o choro inunda a minha alma.
As lágrimas que não chorei invadem o meu peito inundando o coração. Ou o que resta dele:
.
Meros pedaçinhos.

Divagações (IX)


Acordo do sonho e da ilusão à qual me mantiveste presa. Acordei do pesadelo, tão bem encarado como sonho, por mim. Acreditei no sonho, acreditei que o pesadelo era apenas uma mera sombra da realidade que ambos tinhamos. Enganei-me. Tenho esta tendência a errar, por mais que tente acertar. Tenho esta tendência a fazer tudo mal quando quero fazer tudo certo.
Olho para o céu nublado onde o sol brilha.
Vejo o mar revolto sem ondas por perto.
Vislumbro o teu olhar, de onde o brilho já há muito se extinguiu. É apenas um olhar oco, sem brilho, reflexo, sentimento.
Um olhar vazio.
Acordei para a vida e recordei erros passados. Notei que os estava a reviver agora. E tal revelação torna-se insuportável ao meu ser.
Reparei que a vida não é como um sonho cor-de-rosa e que tem as suas cores mais pálidas. Reparei que a minha vida é pintada de preto e branco ou talvez tons cinza.
No meio de tanto sonho a preto e branco apenas uma cor resalta.
O vermelho.
O vermelho do meu coração. O vermelho do sangue. O vermelho das lágrimas que me transbordam do peito, chegando aos olhos.
O vermelho do amor.
Que guardo por ti. Agora. E sempre.

terça-feira, 2 de outubro de 2007

Livro em Branco

Compro um livro. Um livro em branco. De que adianta ler um livro em branco? Não existe lá nada para ler.
Aí está o erro. Um livro em branco tem mais para ler do que outro qualquer onde escrevem palavras.
É o que não lá está escrito que realmente importa, que realmente é importante.
Folheio cada página do livro, com mais interesse de descobrir o que se encontra na próxima.
Branco. Tudo em branco.
Nem uma palavra.
Nem uma letra.
No entanto a cada página que passa, o livro torna-se mais claro para mim, mais perceptivel, e entendo o porquê de tanta brancura.
Nenhuma critica poderia ser feita a tal livro, pois nao tem um tema, não é igual para todos.
De um livro em branco cada qual pode fazer seu julgamento, pode tirar sua conclusão e pode aprender algo disso.
Deste livro, desta leitura, aprendi que a minha vida também ela é um livro em branco, à espera que venhas escrever nele a história do meu destino.
Por isso quando chego ao final do meu livro em branco escrevo:
FIM.


segunda-feira, 1 de outubro de 2007

Oficina de escrita (IX)

Lá fora chuvisca levemente, e o ar gelado entra pelas janelas semi-cerradas. Mas eu continuo aqui, sentada, a ouvir o vento embater nas árvores e deixo-me embalar pelo sono...
Lá fora tudo é frio, tudo é inóspito, agreste, solitário...
Aqui há calor, conforto, mas haverá carencia de solidão?... Penso que aqui isso é o que há menos. E quanto existe é por raros e breves momentos. Que passam assim, como uma lufada de ar fresco passa pelo nosso rosto e deixa nele a marca da frieza.
Sim, aqui onde não há frio nem locais inóspitos, há muita, demasiada, solidão.
Rodeio-me das coisas que me aquecem o corpo mas sinto-me sozinha. Despida. Ali fora...no gelo, no frio.
Pois de que me adianta aquecer o corpo quando é a alma que necessita de aquecimento?
Não são meras mantas ou simples casacos que me vão aquecer a alma. Sinto necessidade de algo superior a isso. Calor humano. Especialmente calor teu.
Vem com essa tua maneira vampiresca roubar a solidao de mim. Vem com esse teu geito carinhoso, porém perigoso, aquecer-me a alma e aquece também meu corpo. És a minha essência imortal, já to tinha dito, por isso digo-te agora que me venhas dar a imortalidade que tanto anseio, a imortalidade que tanto de ti quero,
vem aquecer-me Saint!
vem fazer-me feliz, amor...