quinta-feira, 20 de setembro de 2007

Floresta sem fim.


Caminho pela floresta sem fim. Arrasto-me pela calçada como um corpo sem vontade, sem motivação para a vida, sem uma réstia de esperança do que já não existe. As árvores ressoam com o vento, rangem as folhas verdejantes e brilha o sol lá em cima.
Mas aqui em baixo não chega o calor do sol nem o cheiro das folhas nem a brisa do ar. Apenas existe um abafado de dor e de sofrimento que rasga a minha alma em pedaços. Negros pedaços meus voam pelos céus como aves libertas do seu cativeiro.
Uma árvore deita-se sobre a relva húmida, morta e seca. Como me vejo nela. Morta e seca também eu. Apenas não sobre a relva. Apenas não ainda.
Apesar de tudo o caminho sobre a floresta encontra-se bem traçado. É o meu destino que eu encontro nele. O destino da minha existência, da minha alma, do meu ser. Caminho sobre ele. Percorro-o até ao seu final. E o que encontro no seu final?
A razão da minha existência.